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RESSACA ELEITORAL


Por Paulo Roberto Amaral

Em ano eleitoral é sempre assim, depois da ressaca das urnas é hora de pensar nos novos planos, que só vão ser executados (se forem executados!) no ano que vem. É a previsível rotina política do Brasil. Não se devia perder tanto tempo entre a eleição e a posse dos eleitos. O calendário político poderia andar na mesma velocidade das nossas urnas eletrônicas – orgulho nacional, graças a elas soubemos o nome do candidato vencedor duas horas depois da votação.

Tecnologia de ponta, made in Brazil –. Já imaginou se na manhã seguinte ao pleito, vereadores e prefeito já estivessem empossados, trabalhando para cumprir as promessas que fizeram em campanha? O eleitor teria ainda vivas na lembrança as várias propostas apresentadas. A cobrança seria imediata e não daria tempo ao eleito de empurrar o problema para baixo do tapete ou rolar com a barriga.

E não falo de obras, essas são fáceis de enrolar – basta botar uma placa, definir o prazo para a construção e trocar a placa quando a data estiver chegando. O povo não é de prestar mesmo atenção às placas. Talvez seja por isso que os prazos quase nunca são cumpridos. Mas vamos pensar na situação hipotética de um vereador ou um prefeito já estar trabalhando pelo povo na segunda-feira de manhã. Seria um nobre exemplo de vocação pública. Já imaginou se ao invés das festas que atravessam a madrugada, o vitorioso das urnas – e seu grande staff – fosse pra casa dormir preocupado com o trabalho do dia seguinte? É, no mínimo, estranha essa lógica eleitoral.

Votamos numa pessoa para ela trabalhar por quatro anos. Mas de cara já sabemos que os dois últimos meses do último ano de mandato são perdidos. Sem falar que o trabalho atrasa na montagem da equipe, adequação de cargos, feriados, recesso do legislativo e por aí vai...

Fazendo uma conta por alto, o vereador, ou prefeito, deixa de trabalhar pelo povo por mais de um ano de mandato, e não estou exagerando. Ou seja, vamos pagar a conta de quatro anos, mas nossos ilustres representantes não vão trabalhar por isso. Como reverter essa lógica? O que fazer para que as nossas demandas sejam atendidas pelo poder público? O leitor tem alguma sugestão?

Não adianta perguntar a nenhum dos nossos eleitos, eles certamente estarão viajando para descansar depois da longa campanha para se eleger...

Só me resta seguir o exemplo da escola dos nossos filhos e tirar uma semana de folga.

O motivo: é a semana do “saco cheio”.

Paulo Roberto Amaral é morador do Morumbi e jornalista da Rede Globo de Televisão, onde edita o Jornal Hoje.

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