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50 Motivos para amar o MorumbiEquipe DolceEstádio do Morumbi

A INSPIRAÇÃO DO MORUMBI


O estádio do São Paulo Futebol Clube carrega, em cada tijolo de sua gigante estrutura, a história de pessoas muito audaciosas

Em uma sexta-feira, 8 de agosto, paro em frente a um prédio na rua Rocha, Bela Vista. Estava chovendo e olho de relance acima da porta branca: “Edifício Pompeu de Toledo”. Ao sair do elevador, entro em um amplo apartamento e aguardo por Gilberto Pompeu de Toledo num escritório onde dois quadros chamam a atenção: um de Virgílio Pompeu de Toledo, avô de Gilberto, e outro de Cícero Pompeu de Toledo, seu pai.

Cícero Pompeu de Toledo, na década de 1930, fazia parte de um grupo de amigos que juntaram dois clubes de futebol em um só, a Associação Atlética Palmeiras, localizada próximo à Marginal Tietê, e o Clube Athletico Paulistano, que extinguiu seu Departamento de Futebol. Os jogadores da Palmeiras jogavam com uma camisa branca com uma faixa preta e o Clube Athletico possuía o cinto vermelho. A junção dos cintos preto e vermelho deu origem à camisa do novo time: São Paulo Futebol Clube, nome escolhido em homenagem à cidade em que nasceu.

Com a formação de um novo time em 1935, os amigos do clube pobre que possuía apenas 11 camisas para os jogadores, se reuniam em uma sala de um prédio na praça da Sé, na rua Onze de Agosto, para definirem seus dirigentes. Hoje uma placa denominada ‘marco zero’ aponta o local de nascimento do time.

Cícero Pompeu de Toledo, que era tabelião, se engajou firmemente no grupo como secretário e depois como presidente. Na década de 1940, o time jogava no centro de treinamento do Canindé, onde hoje é a Portuguesa de Desportos. Nesse período foi inaugurado o Pacaem­bu, estádio municipal, e Cícero sugeriu a idéia de construir um lugar para o próprio time, pois a torcida estava crescendo e comparecia em peso aos jogos, já que naquela época ainda não havia televisão.

A idéia da construção do maior estádio particular do mundo, com capacidade para receber 150 mil torcedores, ganhou força. Era um plano ousado. No início de 1951, os dirigentes do clube compraram, com empréstimo da Caixa Econômica Federal, parte de uma fazenda de um loteamento difícil de vender no Jardim Leonor e receberam outra parte como doação da prefeitura. O local era desabitado e “fora da cidade”.

A diretoria enfrentou muitas dificuldades, pois a construção seria feita com os próprios recursos. Os dirigentes venderam o Canindé para a Associação Portuguesa de Desportos para iniciar a compra de material de construção e contaram com a solidariedade de todos os envolvidos para dar prosseguimento ao que muitos diziam ser sonho, loucura, o “mico do ano”...

Em 1952, Cícero visitava o terreno com o filho Gilberto todos os finais de semana. Para iniciar as obras seria preciso canalizar um córrego, e assim foi feito. Os dirigentes e todos os envolvidos com o clube tinham muita fé, daí o nome Clube da Fé: um dava a areia, outro o ferro, outros os parafusos, outros dinheiro; fizeram a campanha do cimento, rifas de galinha, porco etc. A Gazeta Esportiva, jornal de grande tiragem na época, ajudou bastante o São Paulo divulgando desinteressadamente as campanhas em prol de angariação de recursos.

Ainda em 1952, os terrenos foram abençoa­dos pelo Monsenhor Bastos, e o estádio começou a ser erguido. Era para ser um espaço que servisse para o mundo, e tudo isso só foi possível porque o São Paulo era um clube que tinha uma torcida de poder aquisitivo mais elevado que pôde contribuir de maneira efetiva.

Para construção do estádio vieram muitos nordestinos. Como naquela época não havia alojamentos, os migrantes foram construindo seus barracos próximos ao local, que cresceu com a chegada de mais pessoas para trabalhar em outras construções da região.

Cícero ocupou o cargo de presidente do São Paulo por quase dez anos, mas teve que sair em 1957 para cuidar da saúde. Antes de deixar o clube, chamou Laudo Natel ao seu quarto para uma conversa presenciada por Gilberto: “Você vai continuar a obra do estádio porque eu tenho confiança em você”. Laudo era funcionário do Banco Brasileiro de Descontos (Bradesco).

Laudo Natel continuou firmemente a missão, e todo dinheiro que pegava ia para a construção do “templo”. Ele é reconhecido pela sua atuação na prospecção de recursos para viabilizar a construção do estádio. Certa vez, precisando de dinheiro para as escavações, vendeu a concessão de bebidas para a Antarctica. Os anos seguintes reservavam outra surpresa: Laudo foi, por duas vezes, governador do Estado de São Paulo.

Em determinado momento, uma troca foi sugerida. A prefeitura ficaria com o Morumbi, e o São Paulo, com o Pacaembu. Mas apoiado por toda a diretoria, Laudo prosseguiu na batalha e acreditou mais uma vez.

Conheça a história de três torcedores apaixonados. Guilherme Del Nero, 16 anos, treina futebol no São Paulo Futebol Clube e sonha em ser jogador profissional; Cássio Bacile formou, junto com mais dois amigos, a torcida organizada 'Paixão Tricolor' e Nelson Curycomemorou seu aniversário de 70 anos no estádio do time amado.

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