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Comemorar e celebrar significa a mesma coisa?
Com o passar dos anos e das gerações, palavras novas vão surgindo, algumas vão caindo em desuso e outras adquirem novos significados. Penso que este é o caso de celebração, quando comparada com comemoração, no seu sentido popular.
Comemoração, por exemplo, é interpretada e realizada como festa. Algumas pessoas e entidades têm várias e boas razões para comemorar: aniver–sários de nascimento, de fundação, prêmios obtidos, momentos especiais, colação de grau, bodas de alguma coisa – principalmente prata e ouro etc.
Em princípio, a celebração teria mais ou menos o mesmo sentido da comemoração, mas hoje, no entender daqueles que encaram a vida de forma romântica, celebrar passou a ter um significado mais profundo, mais intimista, menos “oba-oba”.
Celebrar é compartilhar alegrias e vitórias, sem bandas e fanfarras, mas com o intenso sentimento de missão cumprida. Celebra-se de modo discreto, mas nem por isso menos intenso e verdadeiro – o que importa é o pulsar forte do coração, o envolvimento das emoções.
Você está celebrando, por exemplo, quando manifesta claramente que reconhece a importância de um comportamento, de uma realização, de um gesto. Em toda pessoa, há sempre um componente que merece ser celebrado – basta querer ver e reconhecer esse componente. Você pode celebrar com seu parceiro ou com seus amigos a entrada na faculdade, a compra da casa própria, do primeiro carro, o nascimento do filho, o casamento, a promoção, um trabalho vencedor.
Celebração é algo que tem muito mais a ver com o coração do que com a razão – e pode-se fazê-la apenas com palavras e gestos, o que não seria possível numa comemoração, que está mais para festa barulhenta e cheia de flashes. Portanto, são coisas diferentes, mas nem por isso uma é menos importante que outra.
Uma significativa diferença entre ambas é que as comemorações geralmente têm data certa para acontecer – como o aniversário do seu parceiro ou o Dia dos Namorados.
As celebrações, não. Podem ocorrer a qualquer momento, em qualquer dia – basta saber que alguém realizou um sonho, superou um desafio, ganhou uma nova competência ou está vivenciando algo que o deixa feliz. Para quem ama bastante, o Dia dos Namorados pode ser celebrado todo dia.
Um beijo, um abraço carinhoso e sincero, um elogio, um gesto caloroso, um e-mail de afago, um presente, um alegre telefonema inesperado... Estes exemplos de celebração mostram uma particularidade que deveria entusiasmar as pessoas a fazê-la sempre: a celebração pode ser feita a custo praticamente zero – o que não se pode dizer em relação às comemorações.
As comemorações agradam ao ego; as celebrações agradam ao coração. Talvez por isso as primeiras sejam mais comuns e mais freqüentes. E talvez por isso haja tantos corações carentes. Muitos casais ainda permitem que sua convivência seja influenciada pela satisfação dos egos dos parceiros e, nessas condições, há pouco espaço para celebrações e muitas razões para comemorações – ainda que por razões às vezes não tão relevantes.
Por fim, é importante destacar que, mesmo com tantas diferenças práticas, há algo em comum e essencial entre comemoração e celebração. Algo tão fundamental que é quem de fato legitima sua autenticidade: em ambas, comemoração ou celebração, é absolutamente indispensável a presença do sorriso que sai do coração.
Sem isso, estaremos falando de qualquer outra coisa, menos de celebração e comemoração.
Floriano Serra é psicologo, autor do livro Não basta amar bastante (Ed. Gente - esgotado). E-mail: florianoserra@somma4.com.br