O QUE MUDA COM O NOVO ENEM?
A forma de avaliar a Educação no Brasil está passando por mudanças com a realização, neste ano, do novo Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). A formatação da prova ainda não foi definida. A princípio a avaliação seria de 200 questões interdisciplinares, mas os técnicos do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão responsável pela elaboração do Enem, optaram por reduzir o número total de questões para 180. O Enem vigente, criado há 11 anos, é uma prova de 63 questões que avalia o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Algumas faculdades o adotam como critério aos que desejam concorrer ao Prouni (Programa Universidade para Todos). Já o novo Enem será obrigatório para todos os alunos a partir de 2010 e terá peso decisivo para a classificação dos alunos, e é provável que venha a substituir o vestibular.

O QUE MUDA?

As questões do antigo Enem não tinham articulação direta com os conteúdos ministrados no ensino médio, por isso não havia possibilidade de comparar as notas de um ano para o outro. No que diz respeito à elaboração, era uma prova de habilidades que exigiam do aluno leituras de textos e tabelas, mas não havia muita preocupação com ciências como matemática, química, física e biologia.

O novo Enem abordará diretamente os conteúdos do ensino médio – trará questões mais profundas e abordará todas as disciplinas com perguntas objetivas em quatro áreas do conhecimento: linguagens (incluindo redação); ciências humanas; ciências da natureza e matemática. Cada grupo de testes será composto por até 50 itens de múltipla escolha, aplicados em dois dias. O tempo para a realização do teste será de até duas horas e meia para as provas objetivas de cada área, e uma hora e meia para a redação.

Segundo o diretor pedagógico do CPV, Flávio Augusto Antonietto, o exame irá priorizar o raciocínio em detrimento da “decoreba”, tornando o aluno não um tarefeiro mas uma pessoa consciente do aprendizado. Nas provas não serão cobrados detalhes específicos, como datas ou fórmulas, pois o que interessa é saber se o aluno compreendeu a questão e possa resolver as perguntas relacionando conhecimentos.

As provas do Enem sempre são elaboradas por especialistas do INEP e assim também será em 2009. A elaboração exige domínio da tecnologia em avaliação educacional empregada, que é especializada e complexa, e na qual o INEP possui experiência de mais de dez anos.

A prova do Enem trará quatro notas diferentes, uma para cada área do conhecimento avaliada. Não haverá diferenciação dos pesos. O que pode ocorrer é que, nos processos seletivos, as instituições utilizem pesos diferenciados entre as áreas para classificar os candidatos, de acordo com os cursos pleiteados. O conteúdo da prova será o mesmo ensinado no ensino médio. Este ano não será cobrada língua estrangeira, mas a partir de 2010 o inglês e o espanhol serão exigidos.

A coordenadora pedagógica do Colégio Objetivo, professora Vera Lúcia Antunes, acredita que a prova será relativamente fácil, por ser o primeiro ano da avaliação. Já o ministro da Educação, Fernando Haddad, observou que as questões serão divididas em três grupos: fáceis, médias e difíceis.

Algumas críticas surgiram em relação a este teste, como a rapidez com que ele foi anunciado e implementado. “As escolas precisavam de mais tempo para preparar os alunos, foi tudo muito rápido”, ressalta Flávio Antonietto. O Ministério da

Educação irá divulgar, antes do exame, um modelo de prova com questões que exemplificam as habilidades e competências exigidas. Outra crítica foi a quantidade de questões a serem realizadas em dois dias, além da redação, tanto que os técnicos do INEP mudaram de 200 para 180 perguntas.

Aproposta é que, também, a partir de 2010, o Enem seja realizado em duas vezes durante o ano. O Enem 2009 será aplicado nos dias 3 e 4 de outubro, e uma nova edição deverá ser aplicada em março ou abril de 2010.

O novo Enem foi inspirado no Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) e nos métodos norte-americanos, onde não existe vestibular tradicional, pois o aluno é avaliado através de um exame que testa o raciocínio.

Se as federais aderirem, o estudante poderá pleitear vagas em até cinco instituições diferentes, favorecendo o intercâmbio em todo o Brasil. No entanto, para algumas universidades, como a USP, a proposta não ficou clara, por isso não adotarão o novo Enem este ano.

As universidades terão quatro escolhas na adoção do novo Enem:
1
Usar o Enem como prova única para a seleção de ingresso;
2 Substituir apenas a primeira fase do vestibular pelo Enem;
3 Combinar a nota do Enem com a nota do vestibular tradicional;
4 Usar o Enem como fase única apenas para as vagas ociosas da universidade.

A professora Vera Lúcia avalia a mudança como positiva, pois a proposta do ministro da Educação, Fernando Haddad, é clara. Para preparar seus alunos, o Colégio Objetivo realiza bimestralmente a chamada PGB (Prova Geral Básica), um teste baseado no Enem para preparar os alunos.

O diretor Flávio Augusto Antonietto diz que a nova proposta do Enem é boa na sua essência porque hoje, em função dos vestibulares diferenciados, as escolas de ensino médio se adaptam ao vestibular com conteúdo pouco formativo. Agora, com a contextualização do novo teste, a escola passará a desempenhar um papel mais próximo da nova realidade.

Recentemente, causou alvoroço o resultado da classificação das escolas paulistanas no Enem. Mas o velho Enem não é uma boa forma de classificação porque mostra os resultados de maneira isolada. Tanto Flávio Antonietto quanto Vera Lúcia se preocupam com o ranqueamento de escolas por uma classificação que não é boa, pois além de não avaliar a pedagogia aplicada em cada escola, muitas impedem alunos de baixo rendimento de fazerem os testes ficando, assim, melhor classificadas. “O importante é ver a diferença dos colégios e a maneira como aplicam o conhecimento, mas essa classificação tem um lado positivo, pois mexe com as escolas provocando uma autoavaliação”, afirma Vera Lúcia.

Os dois coordenadores também criticaram a educação brasileira, “falta mais investimento no ensino fundamental, ele é fraco, cheio de buracos e o aluno leva essa deficiência para o ensino médio e para o resto da vida. É preciso investir na estrutura das escolas e em salários melhores para os professores”, sentencia Flávio.

Vera Lúcia assina embaixo: “É importante fazer com que a educação seja encarada de maneira séria no Brasil, que sempre fica mal classificado em pesquisas internacionais”.

Flávio acredita que São Paulo traz uma particularidade quando comparado a outros estados. Em São Paulo há as faculdades de ponta – como a USP –, as particulares, que não são de ponta, mas são boas – e as faculdades de comércio.

O aluno, para ter diploma, faz uma faculdade de terceira categoria e depois sente dificuldade em ingressar no mercado de trabalho, por isso é importante preparar os alunos para que entrem nas faculdades de ponta.

Sintonizados, os dois coordenadores também acreditam em mudanças profundas na educação daqui para frente e na forma com que as escolas abordam os conteúdos. Cada vez mais a memorização vai ser abandonada em favor do raciocínio.
Com informações do portal do INEP



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