Por mais que possa parecer sarcasmo, enxergo alguns – poucos – motivos que me fazem crer que essa crise mundial aconteceu em um momento importante. Não estou dizendo que acho bom ou ruim, apenas que considero importante, um divisor de águas nos rumos da humanidade. O dinheiro circulando fácil fez todos acreditarem em uma bonança também especulativa, que nada tinha a ver com valores menos divertidos. Uma das mais famosas mensagens que circulou pela internet há poucos anos, chamada “A Terra em Miniatura”, trazia constatações chocantes para nós que fazemos parte dos supostos 25% de pessoas do mundo que têm geladeira, armário e cama em casa. Setenta e cinco por cento não têm esses bens todos! Conta em banco, apenas 8%, segundo a mesma mensagem. Se ela for de fato verdadeira, quantos por cento do mundo será que tinham ações ou dinheiro aplicado em fundos diversos? Quantas pessoas perderam diretamente com a queda das avaliações de valores que chegou mais rápido ao Brasil do que qualquer analista pôde prever? E quantas pessoas nunca tiveram nada, nem ao menos água potável, mas assistiam ao planeta sendo devastado pela necessidade de se aumentar a produção de qualquer coisa que estávamos comprando, nós, os grandes propulsores do consumo desenfreado do mundo? A título de ampliar o leque de informação, sugiro também que se procure no Google o vídeo “The Story of Stuff – A História das Coisas – Versão Brasileira”. Algum dia teria que acontecer algo que colocasse um freio ao ritmo de devastação que foi imposto ao planeta. Esse é, na minha opinião, um dos fatos que faz essa grande crise ser importante. Não estou dizendo boa ou ruim, apenas importante.
Os efeitos colaterais da crise atingem em escala a todos, e em proporções que não são vistas há várias gerações. São agravados porque todos acreditamos nessa bolha, e muitos assumiram compromissos contando com os frutos que viriam da promessa de uma grande colheita na árvore da fortuna. Mas a árvore secou, e hoje todos tentam entender o que existe de real e de especulativo em tudo o que está sendo colocado à mesa. Em que – e em quem – acreditar? O que tem real valor para nós? Quais compromissos vamos escolher assumir daqui por diante? Com quem? Vamos nos achar uns coitados pela bordoada que levamos com a queda da Bolsa na nossa cabeça ou vamos entender que continuamos vivendo em um bairro, ops, em um mundo que tem grande desigualdade social?
Uma crise é, de acordo com os orientais, sinônimo de oportunidade. E aqui eu vejo outro fator que a faz ser tão importante. Estamos tendo, principalmente, a oportunidade de descobrir por quem os sinos dobram.
Importantíssimo.
Boa leitura.
Denise Gonçalves
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