MANTENHA SEU SALDO SEMPRE POSITIVO

CASOS COMUNS ENVOLVENDO SITUAÇÕES CORRIQUEIRAS E O SEU BOLSO
SÃO SOLUCIONADOS DE MANEIRA SIMPLES
Por Fran Oliveira
Queda na Bolsa de Valores em todo o mundo fez com que as pessoas repensassem suas finanças pessoais. Em todas as épocas, mesmo nas de estabilidade econômica, é importante manter o saldo positivo e pensar a longo prazo, destinando verba para uma finalidade. Também é importante repensar o estilo de vida, pois o consumismo desenfreado gera grande quantidade de lixo, pondo em risco a vida no planeta. Quando reutilizamos, doamos ou prolongamos o uso de um produto; além de economizar beneficiamos a sociedade e o meio ambiente. Cuidar do orçamento não é só anotar gastos e ganhos. Antes de tudo, é pensar sobre sua vida, escolher prioridades e ser consciente na hora de gastar.
Para nos dar uma idéia de como ter controle sobre as finanças e usar o dinheiro de forma sustentável, consultamos o administrador Rodrigo Bussab, da empresa de planejamento financeiro pessoal, aqui do Morumbi, a FS Advisor, e consultamos também um relatório do Instituto Akatu sobre Sustentabilidade do Dinheiro e Crédito.
Para Rodrigo Bussab, o que mais dificulta um bom planejamento financeiro no Brasil é a cultura. Nos Estados Unidos as crianças são ensinadas a poupar e a planejar desde cedo. O curto período de estabilidade econômica também dificulta porque as pessoas não conseguem se planejar com consistência. Um bom planejamento precisa de disciplina e de tempo. Aos poucos, o brasileiro tem se acostumado com a idéia de pensar a longo prazo. Em pequenas historinhas, procuramos ilustrar suas principais dúvidas e as situações mais freqüentes.
CASO 1 SEMPRE TENHO SALDO DEVEDOR NO CARTÃO DE CRÉDITO E, ÀS VEZES, PAGO APENAS O MÍNIMO. O QUE FAZER?
O crédito ao consumidor nem sempre existiu. Ele foi inventado há menos de 90 anos nos Estados Unidos. Hoje parece normal pagar tudo no cartão e ter muito crédito é sinal de status, mas vale a pena se endividar? Quem compra parcelado usa um dinheiro que não é seu, tornando-se, portanto, um devedor.
Além disso, não existe pagamento parcelado sem juros. Os juros são o preço de usar hoje um recurso que não temos. Quanto menos alguém é capaz de esperar, maiores são os juros que paga. Já quem sabe se controlar, ao invés de pagar, recebe.
Não pense só no valor da prestação: calcule o preço total da compra e negocie um desconto para pagamento à vista. Considerando os juros do crédito pessoal, uma oferta “em 10 parcelas iguais” deve ter desconto de pelo menos 20% se for paga no ato. Mas se você não consegue abrir mão do cartão de crédito, fique atento a estas dicas:
A primeira coisa é se concentrar em, no máximo, dois cartões, com as datas de pagamento diferentes dentro do mês. Isto dá um fôlego no fluxo de caixa doméstico, quando for preciso. E também fica melhor para negociar a anuidade com a operadora. A segunda coisa é nunca usar o crédito rotativo. Existem empréstimos com taxas de juros muitas vezes menores que a taxa do crédito rotativo do cartão. A terceira coisa é nunca deixar a operadora aumentar o seu limite, porque você acaba usando (essa dica também serve para o cheque especial).
Tente a todo custo pagar o valor integral da fatura. Quando você paga apenas o mínimo arca com juros que variam de 10% a 13% e mora de 12%, fazendo com que sua pequena compra vire uma gigante bola de neve.
CASO 2 ESTOU EM INÍCIO DE CARREIRA, MAS JÁ CHEIO DE CONTAS A PAGAR. DEVO AO CARTÃO DE CRÉDITO E À FACULDADE, POIS O QUE GANHO COMO ESTAGIÁRIO NÃO DÁ PARA COBRIR AS DESPESAS.
Há muitos desejos e poucos recursos. Os jovens brasileiros estão cada vez mais devedores, e uma conta que iniciam na juventude pode acompanhá-los pelo resto da vida. A saída não é agradável, mas é recompensadora. O primeiro passo a seguir é saber para onde está indo o dinheiro. Segundo o economista Mauro Halfeld, é preciso anotar todas as despesas em uma planilha e priorizar o que é mais importante. O que você prefere: sair para a balada no final de semana ou se livrar da dívida de cartão de crédito? O que é melhor: comprar roupas novas ou se livrar do cheque especial? Em poucas semanas você pode passar do time dos devedores para o time dos investidores. A partir daí, vai ser mais fácil concretizar o sonho da casa própria, do carro e das viagens.
CASO 3 TENHO 35 ANOS, SOU CASADA E TENHO DOIS FILHOS. GASTO COM ESCOLA, PLANO DE SAÚDE, DESPESAS DE CASA E NÃO CONSIGO ECONOMIZAR. O QUE TENHO QUE FAZER PARA MANTER O SALDO POSITIVO?
Isso envolve disciplina, comprometimento consigo mesmo e sacrifício. Sempre arranjamos um jeito de gastar o que ganhamos. Ou até mais. É do ser humano. Manter este equilíbrio requer tentar viver a 90% do nosso padrão ao invés de 100%. Se a pessoa não consegue economizar, ela precisa saber onde está o “vazamento”, que geralmente são as pequenas compras: estacionamento, lanches, almoços, presentes. É preciso definir bem os objetivos e evitar gastos desnecessários. O dinheiro que usamos todos os dias em despesas que parecem pequenas, ao final de um ano poderia pagar uma viagem de férias, ou fazer uma bela diferença na sua poupança.
CASO 4 COLOCO PARTE DE MINHAS RENDAS MENSAIS NA POUPANÇA E FAÇO ALGUNS INVESTIMENTOS DE RENDA FIXA, MAS NÃO TENHO PREVIDÊNCIA. A PARTIR DE QUANDO TENHO QUE PENSAR NA VELHICE?
Desde sua primeira remuneração. Quanto mais cedo, menor é o esforço. O trabalho de desenhar o plano futuro tem que ser entregue a um profissional que indicará o melhor caminho para cada caso. Além disso, o profissional deverá estar comprometido com o acompanhamento do plano para chegar ao objetivo planejado.
Se você não for registrado em carteira pode investir na previdência social (INSS) como autônomo, para ter direito a benefícios como auxílio-doença, auxílio-maternidade, aposentadoria por idade e por tempo de serviço após um período mínimo de 15 anos de contribuição. Consulte uma agência do INSS mais próxima ou acesse o site www.previdenciasocial.gov.br. O ideal é, junto com a previdência social, investir também na previdência privada, já que o benefício do governo tende a ficar cada vez menor. Procure uma instituição sólida para garantir seu futuro.
CASO 5 O QUE A QUEDA NA BOLSA DE VALORES VAI INFLUENCIAR NO MEU BOLSO?
Quem não tem suas finanças divididas em dinheiro de curto, de médio e de longo prazos tem motivos de sobra para curtir uma bela dor de cabeça. Quem estava com todo o seu dinheiro investido em aplicações na Bolsa, vai sofrer com oscilações que devem continuar, no mínimo, até 31 de dezembro, data em que terminam as liquidações das opções de venda. Para quem tem seu dinheiro de curto prazo aplicado em ações da Bolsa, a influência é total. Para aqueles que têm o dinheiro investido, principalmente em papéis de primeira linha – Vale, Gerdau, Petrobras –, e não precisam deste dinheiro nem a curto nem a médio prazo, excelente! Mantenham suas posições porque assim não vão sentir no “bolso”. Recomendo que “sentem” em cima de suas ações, porque como o propósito da Bolsa de Valores de qualquer lugar do mundo é o fomento da economia, no longo prazo sempre se ganha. Agora, se possível, comprem, porque este é um momento como poucos no histórico de cotas com valor muito baixo.
CASO 6 TENHO 24 ANOS E GOSTARIA DE INVESTIR NA BOLSA, MAS NÃO SEI QUANTO. DO DINHEIRO QUE TENHO DISPONÍVEL, QUAL A PORCENTAGEM APROPRIADA PARA APLICAR EM AÇÕES?
O primeiro passo é pagar todas as dívidas de curto prazo exceto financiamentos imobiliários, depois fazer reserva de emergências em renda fixa, preferencialmente CDBs. Só depois disso, comece a investir em ações. Para tanto, considere a regra 100. Aplique o número 100 menos a sua idade: 76% em renda variável – imóveis, ações, negócios próprios – e o restante, 24%, aplique em renda fixa: CDBs, tesouro direto, Fundo DI, previdência privada. Esta dica funciona como uma sugestão, um objetivo a ser perseguido. Todos os anos é preciso rever suas aplicações para não fugir da regra estabelecida.
CASO 7 QUAIS OS BENEFÍCIOS DA POUPANÇA?
Colocando na poupança R$ 2 por dia desde o nascimento de uma pessoa, ao completar 30 anos ela terá acumulado quase R$ 60 mil. A poupança bem utilizada protege nosso bolso de nós mesmos. Um bom poupador não guarda dinheiro: administra a sua circulação. Não se limita à idéia de juntar e aprende a multiplicar oportunidades.
CASO 8 TENHO R$ 30 MIL E GOSTARIA DE INVESTIR EM UM CARRO. É UMA BOA OPÇÃO?
Um automóvel “zero quilômetro” desvaloriza em média 20% após o 1º ano de uso. Depois disso, perde mais cerca de 10% a 15% do valor a cada ano adicional. Além disso, a manutenção do veículo custa aproximadamente, por ano, 1/5 do valor de um carro novo. Fazendo as contas, o valor investido em um carro é totalmente consumido em menos de quatro anos de uso. Antes de comprar um carro, pense se você não poderia resolver sua necessidade de transporte usando metrô, ônibus, táxi ou mesmo caminhando.
CASO 9 NÃO CONSIGO DEIXAR DE COMPRAR EM PROMOÇÕES E LIQUIDAÇÕES. ESTÁ TUDO TÃO BARATO. O PROBLEMA É QUE QUANDO CHEGO EM CASA ACABO ME ARREPENDENDO OU RARAMENTO USO O QUE COMPRO.
Temos que nos conscientizar a respeito de dois tipos de consumo: o Consumo Racional – aquelas conquistas importantes, que geram uma grande satisfação a longo prazo. Por exemplo, educação, casa própria, casamento (ops! tem gente que discorda neste ponto), um filho, entre outros. E o Consumo Emocional – aquele que gera satisfação no curto prazo e nenhum prazer no longo prazo. Por exemplo, um par de sapatos, uma bolsa para as mulheres e itens eletrônicos para os homens. Concentre-se no consumo racional e tenha autocontrole com os emocionais. Evite sempre o pensamento “Eu mereço”. Pense sempre: “Eu preciso disso?”.
CASO 10 MEU FILHO TEM NOVE ANOS. SEMPRE QUE SAIO COM ELE É UM PROBLEMA. ELE QUER UM CARRINHO, QUER ALMOÇAR NO McDONALD'S, QUER UM PACOTE DE FIGURINHAS...
Você pode dar uma mesada para seu filho. Se der R$ 10 por semana, com este dinheiro ele terá que escolher entre o carrinho, o McDonald’s ou as figurinhas. Além de trabalhar a favor do seu bolso, ensinará a ele noção de administração e o valor do dinheiro.
CASO 11 MINHA FAMÍLIA É PEQUENA. SEMPRE QUE FALTA ALGUM PRODUTO EM CASA, CORRO AO SUPERMERCADO, MAS TENHO GASTADO MUITO ASSIM, O QUE FAZER?
Sempre vá ao supermercado com uma lista do que realmente precisa e faça as compras para o mês. Tanto neste caso como para quem tem famílias maiores, uma dica é fazer compras para três meses em um supermercado que vende por atacado. Administre os produtos para durar naquele período. A economia será assustadora.
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DICAS DE LEITURA
A MENTE MILIONÁRIA
Entenda como pensam os ricos, de Thomas J. Stanley, Editora Novo Conceito, 376 p.
PAI RICO, PAI POBRE
O Que os Ricos Ensinam aos seus Filhos Sobre Dinheiro, de Robert T. Kiyosaki, Sharon L Lester, Editora Campus, 192 p.
INVESTIMENTOS
Como administrar melhor o seu dinheiro, de Mauro Halfeld, Editora Fundamento, 142p.