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Elas podem transmitir idéias, atmosferas e emoções.
Subjetiva ou objetiva, a cor tem inspirado a mente daqueles que trabalham com imagem, criação de cenários, comunicação visual, arquitetura, filosofia e ciências, sempre de forma complexa e surpreendente. Há séculos a cor é tema de discussões filosóficas, mas, ao que parece, nunca se chegou a um acordo sobre como ela realmente é ou como ela acontece.
Alguns psicólogos afirmam que a preferência por uma cor expressa sentimentos e revela traços da personalidade. O filósofo alemão Göethe associa as cores ao temperamento, profissão e qualidades humanas. O cineasta espanhol Pedro Almodóvar usa as cores para expressar o estado de espírito dos personagens de seus filmes, para emoções intensas ele usa cores fortes e para emoções contidas, cores sóbrias.
Na arquitetura a cor é uma ferramenta poderosa para a transmissão de idéias, atmosferas e emoções. Ela pode ampliar um espaço pequeno, transformar um local frio em aconchegante, um ambiente triste em um ambiente alegre. Infelizmente não existe uma “receita de harmonia”. Com todos os recursos de que dispomos, seja a computação gráfica, sejam os inúmeros tons oferecidos pelas indústrias, a tarefa de combinar as cores e de escolher tons adequados para um contexto específico ainda representa um grande desafio.
O pintor Kandinsky, em seu livro “Do Espiritual na Arte”, afirma que cada cor suscita um movimento, uma temperatura, um som musical e um “estado de espírito”. Para ele, as cores falam por si mesmas:
• AMARELO • ao mesmo tempo uma cor considerada representante da riqueza material, ligada ao ouro, também é associada ao divino, à luz e à iluminação. No islamismo, o amarelo-dourado equivale ao sábio e bom conselho. A relação do amarelo com reis aparece em várias culturas.>br>
• Azul • desmaterializa tudo que dele se impregna. É o caminho do infinito, onde o real se transforma em imaginário.
• Branco • é visto como a soma de todas as cores ou a não-cor. Representa a submissão, a vestimenta dos comungantes, o vestido de noiva, significando a brancura imaculada, cor da pureza, passa a mensagem de que nada foi realizado ainda. Cor iniciadora, dos ritos de passagem.
• Preto • é com freqüência considerada pelo seu aspecto negativo, associada às trevas primordiais e ao mal. É a cor de um dos cavaleiros do apocalipse, cor dos mundos subterrâneos. É a cor do luto mais opressivo.
• Verde • nos locais de clima frio, o verde recobre a terra após o inverno e traz de volta a esperança da sobrevivência. Liga-se ao feminino, simbolizando a fertilidade e o oásis materno, porto de paz, nutre e revigora.
• Vermelho • símbolo universal do princípio da vida, o vermelho carrega os significados dos impulsos humanos mais profundos de libertação e opressão, ação e paixão.
• Laranja • representa o ponto de equilíbrio entre a libido (vermelho) e o espírito (amarelo). Para o budismo, o jacinto, pedra de cor laranja, é o símbolo da fidelidade.
• Violeta • na simbologia medieval do tarô, o violeta, mistura do azul e do vermelho, simboliza a temperança (moderação), representando, ainda, o equilíbrio entre o espírito e os sentidos, a inteligência e a paixão, a sabedoria e o amor. É a cor símbolo da alquimia.
A combinação das cores não é apenas um acaso, mas uma escolha consciente. Elas têm o poder de nos transmitir as mais diversas emoções.
Sua presença no mundo visível exerce incontestável atração sobre nós, despertando sensações, interesses e deslumbramentos. De forma sutil, cada tom escolhido valoriza o ambiente e agrega múltiplas sensações.
Há momentos em que a cor exerce outro tipo de fascinação: a moda. Nunca se sabe ao certo se a cor tal está na moda ou se a moda é a cor tal. Na percepção do estilista, que se inspira em temas e cores, a harmonia pode ser o descompromisso com a forma, poderá ser compensado com as cores, que falarão mais alto, que darão o estilo que se deseja. A cor tem o grande poder de movimentar a magnífica indústria da moda.
As cores também simbolizam um lugar que amamos: a nossa pátria. Toda nação tem uma ou mais cores que fazem lembrar aos seus cidadãos, por mais distantes que estejam, onde nasceram e onde estão suas raízes. Quem não se orgulha de ver a sua bandeira no alto de um pódio, por exemplo?
Por fim, para se ter uma idéia clara da falta que faz a noção de cor, imagine que ainda hoje tudo fosse visto por uma TV preto&branco. Pense nisto. As cores podem muito.
Silvia Utsch é arquiteta e urbanista e moradora do Morumbi.
E-mail: msutsch@ajato.com.br