Detalhes tão pequenos de nós....SEIS





Por: Fran Oliveira • fotos: Jaf e arquivo pessoal



DIÁRIO DE COINCIDÊNCIAS
DATA: 4 DE NOVEMBRO DE 2007
Local
: Aeroporto de Guarulhos 12h: Lucilene e Oswaldo, Elaine e Júlio, Carina e Leonardo se encontraram radiantes no salão de embarque em meio ao ir-e-vir de pessoas. A pergunta foi unânime:
– E aí, como foi tudo?
A resposta também:
– Maravilhoso!

Eles conversaram sobre os três eventos do dia anterior. Tudo saiu perfeito e até um cover do rei do rock, Elvis Presley, esteve presente numa das festas. Mas o melhor estava por vir, após a cura da merecida ressaca dos seis. Os casais embarcaram em viagem de lua-de-mel para o paraíso natural Ilhas Maurício e para um safári na África no Sul, viagem que rendeu mais de três mil fotos.




DATA: 3 DE NOVEMBRO DE 2007
Local
: Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
18h: Elaine deu o retoque final no visual com um bracelete. O vestido caiu-lhe perfeito sobre o corpo. A cor laranja dos copos-de-leite que levava no buquê conferiu um ar jovial a sua expressão. Ela lembrava do abraço que recebeu das amigas Lucilene e Carina horas atrás. Pena que elas não pudessem estar ali agora. O coração dela palpitou ao ver Júlio no altar. No meio da cerimônia, o amigo Oswaldo apareceu. Ele seria o próximo a se casar.


19h: Lucilene se emocionou ao descobrir que o pai a levaria para o altar. Dias atrás, ele havia sofrido um acidente gerando dúvida sobre sua participação. Nas mãos levava um imenso buquê de orquídeas brancas harmônicas com o vestido bordado, que deixava seu colo à mostra. A exemplo dos ensaios do curso de noivos, mal podia conter as lágrimas de emoção quando a Marcha Nupcial começou a tocar. Oswaldo a aguardava ansioso. Assim que acabou a cerimônia, Leonardo foi cumprimentar os noivos; em breve seria sua vez de trocar alianças.


20h: Carina segurava um buquê de minirrosas. O cabelo estava preso por um coque que sustentava a grinalda e o vestido emoldurava o seu corpo até se transformar, logo abaixo dos joelhos, em uma longa cauda. Era exatamente assim que tinha imaginado. Olhava para os lados na tentativa de avistar Lucilene, mas os noivos e os convidados do casamento anterior já haviam saído. Ao escutar a música que soava no altar, deu passos firmes em direção ao seu futuro marido, Leonardo.


Data: 3 de novembro de 2007
Local
: Jacques & Janine, Av. Jorge João Saad
12h: Quando Carina chegou, Elaine e Lucilene já estavam nas mãos de cabeleireiros e maquiadores. De roupão branco, faziam coques nos cabelos e escolhiam os tons dos esmaltes e das sombras. Na mesma hora, a igreja estava sendo decorada conforme tinham combinado, com as cores verde e branca, flores copos-de-leite colocadas em vasos transparentes e iluminação à luz de velas para criar um clima acolhedor. Abriram um champanhe para comemorar a amizade. Assim que Elaine ficou pronta, as amigas a abraçaram e desejaram boa sorte. Elas seriam as próximas. Apesar de não presenciarem o casamento uma da outra, o que as consolava era que em poucas horas, no domingo, estariam juntas no aeroporto de Guarulhos, onde partiriam para a viagem de lua-de-mel.



Data: Janeiro de 2007
Quando tudo começou...

Meses antes, em janeiro de 2007, após diversas idas e vindas à paróquia do Perpétuo Socorro, Carina conseguiu os telefones de Lucilene e Elaine. Era preciso estabelecer contato para decidirem os detalhes do matrimônio. Para sua surpresa, Lucilene, a futura senhora Braz, estava em Nova York providenciando o enxoval de quase mil fios. E Elaine não atendia ao celular. Nesse momento, bateu o desespero.
– Cadê essas noivas? O casamento está logo aí!
Faltavam dez meses, mas em se tratando de casamento, os preparativos precisam ser feitos com bastante antecedência.
A data estava marcada para o dia três de novembro, mas antes uma série de coincidências reuniu os seis. Lucilene casaria no dia 7 de setembro, mas foi aconselhada pelo padre a procurar outra data porque o feriado era sinal de igreja vazia. Elaine mudou o horário da cerimônia várias vezes até permanecer com o de 18h.
Carina ficou aliviada quando os seis conseguiram se reunir para verem a proposta de uma empresa especializada em decoração. Consultaram-se através de olhares. Era como se lessem os pensamentos uns dos outros: – “Meu Deus, que proposta absurda!” A partir deste misterioso momento, iniciou-se uma harmonia entre seis pessoas de diferentes opi­niões, que concordavam em tudo, exceto a cor do tapete da Igreja. Resolveram prolongar a conversa no bar do Juarez. O papo fluía, as afinidades apareceram e foram surgindo novas ideias sobre o grande dia.

Os meses seguintes foram perfeitos. Entre diversas decisões sobre convite, vestido, carro, entre outras, se encontravam em barzinhos e a amizade tornava-se cada vez mais sólida. Os seis negociavam sempre juntos. Neste período, em visitas a empresas fornecedoras de material de casamento, eles leram bilhetes, deixados acidentalmente sobre mesas, que alertavam:

– São os três casais, cautela na negociação!

Eles ouviram propostas engraçadas, se divertiram com a opção de uma lâmina de ouro para barbear os noivos e viram álbuns de casamento inusitados. Mas o maior objetivo era fechar um pacote atraente e que os três eventos fossem perfeitos, afinal, o dia três de novembro seria marcante e especial para todos.
Em uma dessas noitadas, os casais falaram sobre a lua-de-mel. Após diversas opções, escolheram em consenso:

– Passaremos a lua-de-mel juntos!




Destino, África do Sul e Ilhas Maurício. Detalhe, com direito a um safári em plena savana.
A viagem foi tão boa que outras viriam. Para comemorar um ano de casados, foram para Disney, com direito a muitas visitas em parques da Universal.

Como na época dos preparativos do casamento, eles ainda se encontram todos os finais de semana, seja para uma visita caseira com direito a pizza e filme ou ofurô. A amizade tornou-se tão forte que as três planejam ser mães juntas para que seus filhos herdem esse laço inusitado construído por eles, em um certo três de novembro.






ESSA HISTÓRIA DAVA UM FILME...

O relato das três cerimônias abordadas nesta edição de Dolce, certamente daria um bom roteiro de cinema. Aliás, todos os anos são lançados filmes cuja temática gira ao redor do universo do casamento. As narrativas, em sua maioria, são engraçadas e românticas, como a deles. Confira alguns filmes de sucesso.

O CASAMENTO DE MURIEL
(Austrália / França): 1994
Rejeitada pelas amigas e pela família, especialmente o pai, Muriel é uma jovem que tem o sonho de se casar. Para aliviar os momentos de frustração, faz das músicas do grupo Abba seu refúgio contra a solidão. Mas esta história reserva muitas surpresas...

O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO
(EUA): 1997

Jules (Julia Roberts) fica desesperada ao descobrir que um antigo amigo, apaixonado por ela, irá se casar com outra mulher. Com Rupert Everett e Cameron Diaz.

NOIVA EM FUGA
(EUA): 1999

Maggie Carpenter (Julia Roberts) é uma moça do interior que já deixou três noivos no altar. Ike Graham (Richard Gere) é um jornalista, que atrás de uma boa matéria, vai atrás desta história. Os dois acabam se apaixonando.

CASAMENTO GREGO
(EUA): 2002
Aos 30 anos e solteira, Toula Portokalos é considerada um caso perdido. A moça dá um trato no visual e vai trabalhar numa agência de turismo. Lá ela conhece um “não-grego” por quem se apaixona. O difícil será convencer seu pai a aceitar o casamento.

CRISTINA QUER CASAR
(BRA): 2003

A solteirona Cristina busca a ajuda de uma agência de casamentos. A empresa dirigida por Chico enfrenta dificuldades. Vendo na moça a chance de lucrar, ele a apresenta a vários candidatos, até que surge Paulo, bonito e solitário. Com Denise Fraga, Marco Ricca e Fábio Assunção.

O CASAMENTO DE ROMEU E JULIETA
(Bra): 2005

O filme conta a história da paixão de uma jogadora do time feminino de futebol do Palmeiras (Luana Piovani), com um médico oftalmologista, que é corinthiano roxo (Marco Ricca).

VESTIDA PARA CASAR
(EUA): 2008

Jane tem um armário repleto de vestidos de dama de honra. Uma noite, ela consegue fazer o percurso ida-e-volta entre duas festas de casamento, fato acompanhado por Kevin, um repórter que resolve contar sua história.




O SIGNIFICADO DAS FLORES

Diz a lenda que os buquês surgiram na Idade Média como uma espécie de amuleto da sorte. As flores perfumavam o ambiente e eram escolhidas pelo significado. O lírio representava a pureza; rosas vermelhas o amor e violetas, a modéstia. Os buquês das noivas Lucilene, Elaine e Carina foram feitos de orquídeas ,simbolizando a beleza rara; copos-de-leite, que se associa ao sagrado, inocência e pureza, e minirrosas, paixão. As réplicas dos buquês foram feitas especialmente para esta matéria pela Pepe Flores.









Créditos
CABELO E MAQUIAGEM:
Carina: Cabelo - Natalia Freitas e Maquiagem Vanessa Dias
Lucilene: Cabelo, Adriano Salles e Maquiagem, Fernanda Ribeiro
Elaine: Cabelo - Tiago Lino e Maquiagem, Fernanda Ribeiro Jacques & Janine J. Sul.

Vestidos (Carina e Elaine) Leu.

Produção: Renata Agostine